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ID CTVM acompanha o avanço da tokenização de recebíveis no mercado de capitais brasileiro

Nicolas Bellmont
Por Nicolas Bellmont
Publicado em 24/08/2026
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ID CTVM
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Emissões de ativos tokenizados multiplicaram-se por vinte em dois anos e já somam cerca de R$ 4 bilhões, enquanto a CVM avalia nova regulamentação para o segmento após consulta pública encerrada no início de 2026

A tokenização de ativos financeiros, processo pelo qual direitos sobre um recebível, um título de crédito ou outro instrumento financeiro passam a ser representados digitalmente em uma rede blockchain, deixou de ser um experimento restrito a startups de tecnologia financeira para se tornar uma tendência observada de perto pelos principais participantes do mercado de capitais brasileiro. As emissões de ativos tokenizados no país saltaram cerca de vinte vezes em dois anos, somando aproximadamente R$ 4 bilhões ao final de 2025, um volume ainda pequeno diante do mercado tradicional de crédito estruturado, mas que cresce em ritmo significativamente mais acelerado.

No Brasil, essas operações ocorrem hoje sob o amparo da Resolução CVM 88/2022, inicialmente concebida para regular plataformas de investimento coletivo (crowdfunding), mas que teve sua aplicação estendida por meio de ofícios técnicos da autarquia, que reconheceram a viabilidade de tokenizar certificados de recebíveis e títulos de securitização. A Comissão de Valores Mobiliários encerrou, no início de 2026, uma consulta pública voltada a estruturar uma regulamentação mais específica para esse tipo de operação, movimento que o mercado interpreta como sinal de que um arcabouço regulatório mais consolidado deve ser publicado nos próximos períodos.

Da representação em papel ao registro digital de direitos

Do ponto de vista técnico, a tokenização de um recebível ou de uma cota de fundo estruturado não altera a natureza jurídica do ativo em si, mas sim a forma como a titularidade e a movimentação desses direitos são registradas e transferidas entre investidores. Em vez de depender de processos tradicionais de escrituração centralizados em um único agente, a tokenização permite que a movimentação de um ativo seja registrada em uma infraestrutura de blockchain, com potencial de reduzir custos operacionais e ampliar a agilidade das negociações no mercado secundário.

Para Lidiane dos Santos, diretora da ID CTVM, a tokenização representa uma evolução natural da trajetória de digitalização que a indústria de fundos estruturados já vem percorrendo:

“A escrituração eletrônica que já aplicamos a debêntures e Notas Comerciais é, de certa forma, um passo anterior ao que a tokenização propõe em maior escala. A diferença é que a tokenização amplia a interoperabilidade entre diferentes sistemas e potencialmente reduz o custo de negociação no mercado secundário. Ainda estamos em um momento de amadurecimento regulatório, mas é uma tecnologia que acompanhamos de perto, porque tende a impactar diretamente a forma como custodiantes e escrituradores organizam seus processos nos próximos anos”.

A ID CTVM acompanha a evolução regulatória da tokenização de ativos financeiros e avalia continuamente como sua infraestrutura de escrituração e custódia pode se adaptar a esse ambiente, à medida que a Comissão de Valores Mobiliários avança na consolidação de regras específicas para o segmento.

Redução de custos operacionais como principal promessa

Um dos argumentos centrais utilizados por defensores da tokenização é o potencial de redução de custos operacionais ao longo de toda a cadeia de intermediação financeira, com estimativas de mercado apontando para reduções de até 30% em determinados processos, à medida que a automação de contratos digitais substitui etapas manuais de conciliação e registro hoje realizadas por diferentes agentes ao longo da cadeia de uma operação estruturada.

Essa promessa de eficiência depende da consolidação de um arcabouço regulatório claro, que estabeleça as responsabilidades de cada participante do ecossistema, incluindo emissores, plataformas tecnológicas, custodiantes e administradores fiduciários, preservando o mesmo nível de segurança jurídica e proteção ao investidor já consolidado no mercado tradicional de valores mobiliários.

Ativos de crédito privado lideram as primeiras experiências

Entre os tipos de ativos mais tokenizados no mercado brasileiro atualmente estão certificados de recebíveis, títulos de securitização e produtos de crédito privado e renda fixa personalizados, categorias que guardam relação direta com o universo de atuação de administradores fiduciários especializados em FIDCs e demais estruturas de crédito estruturado. Essa proximidade temática reforça a relevância de que instituições já consolidadas nesse mercado acompanhem de perto a evolução tecnológica e regulatória da tokenização, de modo a estarem preparadas para integrar essa nova camada tecnológica à sua infraestrutura operacional quando a regulamentação amadurecer.

Um mercado em transição regulatória

Com a expectativa de que a Comissão de Valores Mobiliários publique um arcabouço mais consolidado para a tokenização de ativos financeiros nos próximos períodos, o mercado de capitais brasileiro caminha para um ambiente no qual a representação digital de direitos creditórios pode se tornar uma alternativa relevante, e não apenas experimental, à escrituração tradicional. Para administradores fiduciários e custodiantes, acompanhar de perto essa evolução regulatória e tecnológica deve seguir como parte essencial da estratégia de inovação nos próximos anos.

Coexistência entre modelos tradicionais e digitais

Especialistas do setor avaliam que a consolidação da tokenização não deve significar a substituição abrupta dos modelos tradicionais de escrituração e custódia, mas sim a coexistência gradual entre diferentes formas de representação de ativos, cabendo a cada emissor e gestora avaliar qual modelo se adequa melhor ao perfil de sua operação e de seus investidores. Fundos voltados a investidores institucionais mais conservadores tendem a manter, ao menos no curto prazo, preferência pelos modelos tradicionais já consolidados, enquanto operações voltadas a públicos mais familiarizados com ativos digitais podem se beneficiar antecipadamente das vantagens de custo e agilidade oferecidas pela tokenização.

Esse cenário de transição gradual reforça a necessidade de que administradores fiduciários desenvolvam capacidade técnica para operar simultaneamente sob ambos os modelos, de forma a atender toda a diversidade de perfis de emissores e investidores que compõem o mercado brasileiro de crédito estruturado ao longo dos próximos anos.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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