Um ensaio clínico multicêntrico e randomizado publicado em 5 de setembro de 2026 no periódico The Lancet comparou a lipoaspiração com o tratamento conservador em mulheres com lipedema. O estudo foi realizado em 11 centros na Alemanha e acompanhou pacientes com a doença nos estágios I, II ou III, avaliando principalmente a redução da dor nas pernas após 12 meses.
Ao todo, 1.973 pessoas foram avaliadas quanto à elegibilidade e 453 foram inicialmente incluídas. Dessas, 410 foram randomizadas para os grupos de comparação. Segundo os resultados registrados no PubMed, 68% das participantes submetidas à lipoaspiração alcançaram uma redução mínima de dois pontos na escala de dor, ante 8% entre aquelas que permaneceram no tratamento conservador.
Cirurgia apresentou maior redução da dor
O lipedema é uma doença crônica e dolorosa do tecido adiposo subcutâneo, predominantemente observada em mulheres. A condição pode afetar principalmente os membros inferiores e está associada a sintomas que comprometem a mobilidade, o bem-estar e a qualidade de vida. A avaliação da dor foi o principal desfecho do estudo, permitindo uma comparação direta entre a abordagem cirúrgica e a não cirúrgica.
Além da resposta na escala de dor, o grupo submetido à lipoaspiração apresentou melhora maior nos indicadores de qualidade de vida. Os dados sugerem, portanto, que o procedimento pode oferecer benefícios clínicos relevantes para parte das pacientes com lipedema, especialmente quando o tratamento é analisado em relação ao desconforto persistente nas pernas.
Os resultados, contudo, não significam que a lipoaspiração seja indicada automaticamente para todas as pessoas com lipedema. A decisão depende da avaliação individual, do estágio da doença, dos sintomas, das condições clínicas e da análise dos riscos e benefícios por uma equipe habilitada.
Eventos adversos foram mais frequentes no grupo cirúrgico
A principal ressalva do ensaio está relacionada à segurança. Eventos adversos foram registrados em 47% das pacientes avaliadas no grupo da lipoaspiração, contra 21% das participantes que seguiram o tratamento conservador. Entre os casos classificados como graves, a ocorrência foi de 8% no grupo cirúrgico e de 3% no grupo conservador.
Essa diferença reforça que a possível redução da dor deve ser analisada junto com o risco de complicações. Em procedimentos cirúrgicos, a indicação, o planejamento, a experiência da equipe e o acompanhamento depois da operação fazem parte da avaliação de segurança. O estudo apresenta uma comparação entre estratégias, mas não substitui a consulta nem estabelece uma conduta universal.
Tratamento conservador continua no centro da avaliação
A terapia descongestiva complexa é considerada o tratamento padrão para o lipedema, embora possa oferecer alívio limitado para algumas pacientes. O ensaio amplia a discussão sobre o papel da lipoaspiração terapêutica e reparadora em uma doença crônica, diferenciando essa indicação do uso exclusivamente estético do procedimento.
Essa distinção é importante porque a lipoaspiração para lipedema tem objetivos clínicos relacionados à dor e à qualidade de vida. Ainda assim, os resultados devem ser interpretados dentro do contexto em que foram obtidos: um estudo realizado na Alemanha, em centros específicos, com critérios próprios de seleção e acompanhamento.
Acompanhamento de longo prazo ainda está em andamento
O estudo prevê seguimento de 36 meses, mas essa etapa de longo prazo ainda não foi concluída. Os dados futuros poderão esclarecer melhor a duração dos benefícios observados após 12 meses, além de contribuir para a avaliação da segurança tardia e da evolução das pacientes submetidas à cirurgia.
O registro do ensaio está disponível no ClinicalTrials.gov, sob o identificador NCT04272827. Até que o acompanhamento completo seja divulgado, os resultados atuais indicam uma possível vantagem da lipoaspiração na redução da dor e na qualidade de vida, acompanhada por maior frequência de eventos adversos. A escolha do tratamento deve ser individualizada e discutida com profissionais de saúde.
