Uma técnica que combina enxerto de pele, matriz dérmica acelular e células-tronco epidérmicas retiradas do próprio paciente apresentou resultados superiores ao tratamento convencional em pessoas com feridas extensas. O estudo clínico randomizado envolveu 232 participantes e foi publicado on-line em 6 de setembro de 2026 na revista MedComm, de acordo com o artigo disponível na Wiley Online Library.
A pesquisa foi conduzida por um grupo ligado a hospitais e universidades chinesas, incluindo o First Affiliated Hospital of Sun Yat-Sen University, em Guangzhou. Os participantes apresentavam feridas de espessura total com pelo menos 9 cm², associadas a queimaduras, úlceras ou cicatrizes. O objetivo foi verificar se o acréscimo de células epidérmicas autólogas poderia favorecer a reconstrução da pele e a evolução das cicatrizes.
Como funcionou o enxerto de pele com células-tronco
Os pacientes foram divididos em dois grupos. No tratamento convencional, receberam uma matriz dérmica acelular seguida de enxerto de pele de espessura parcial. Na abordagem investigada, além desses componentes, os médicos aplicaram uma suspensão de células-tronco epidérmicas obtidas da pele saudável do próprio paciente durante a cirurgia.
Uma das características destacadas pelos pesquisadores é que as células foram preparadas no decorrer do procedimento, sem depender de um período prolongado de cultivo em laboratório. A estratégia pode simplificar o processo em comparação com métodos que exigem expansão celular in vitro, embora essa possível vantagem operacional ainda precise ser confirmada em estudos realizados em diferentes centros e com acompanhamento mais longo.
Resultados apontaram cicatrização mais rápida
Após seis meses, o grupo que recebeu as células epidérmicas apresentou pontuação mediana 3 na Escala de Cicatrizes de Vancouver, enquanto o grupo submetido ao tratamento convencional teve pontuação 6. A escala é utilizada para avaliar características como vascularização, pigmentação, flexibilidade e espessura da cicatriz. Nesse contexto, a diferença favorece o grupo com menor pontuação e sugere melhor qualidade cicatricial.
A cicatrização completa em duas semanas também foi mais frequente entre os participantes tratados com a terapia celular. O resultado ocorreu em 80 de 120 pacientes, ou 66,7% do grupo, contra 61 de 112, equivalente a 54,5%, entre aqueles que receberam o tratamento convencional. Depois dos ajustes estatísticos, a probabilidade de cicatrização completa foi 1,87 vez maior no grupo que recebeu as células epidérmicas.
Os dados indicam um possível benefício para situações em que a extensão ou a profundidade da lesão torna a reconstrução da pele mais complexa. Ainda assim, os resultados devem ser interpretados dentro das condições específicas do estudo e não significam que a técnica esteja pronta para substituir os enxertos convencionais em todos os pacientes ou serviços de cirurgia reconstrutiva.
Limitações impedem adoção ampla neste momento
O acompanhamento principal para avaliação da qualidade da cicatriz foi de seis meses, enquanto a análise de recorrência foi realizada por três meses. Esses períodos permitem observar resultados iniciais, mas não esclarecem completamente como as cicatrizes evoluirão a longo prazo, especialmente em relação à durabilidade do resultado, à aparência estética e a possíveis complicações tardias.
Os próprios autores defendem novas pesquisas multicêntricas, com mais participantes e seguimento prolongado, para confirmar a segurança e o desempenho da abordagem. Também foi informado que um ou mais autores declararam possuir uma patente relacionada à tecnologia estudada, um aspecto que deve ser considerado na interpretação dos achados e em futuras avaliações independentes.
O registro bibliográfico do trabalho pode ser consultado no PubMed. Até que outras pesquisas confirmem os resultados, o enxerto de pele com células-tronco deve ser compreendido como uma abordagem promissora em investigação, e não como uma terapia de uso generalizado. A indicação continua dependendo da avaliação individual da ferida, das condições clínicas do paciente e da experiência da equipe responsável pela reconstrução.
