Um estudo publicado em 1º de outubro de 2026 analisou duas alternativas de reconstrução mamária sem prótese após a mastectomia: o fechamento plano estético, conhecido em inglês como aesthetic flat closure, e a reconstrução Goldilocks. As técnicas utilizam pele e tecido adiposo da própria região inferior da mama para melhorar o contorno do tórax, sem recorrer a implantes ou a reconstruções autólogas mais complexas.
A pesquisa retrospectiva acompanhou 55 pacientes operadas entre abril de 2021 e agosto de 2024 em uma única instituição. Do total, 44 foram submetidas ao fechamento plano estético e 11 passaram pela reconstrução Goldilocks. De acordo com o estudo disponível no PubMed, foram registradas complicações em até 60 dias em 9,1% dos casos, enquanto 7,3% das pacientes precisaram de uma revisão cirúrgica.
Como funcionam as técnicas avaliadas
O fechamento plano estético busca proporcionar um tórax com contorno regular depois da retirada da mama, sem a intenção de reproduzir necessariamente o volume de uma mama reconstruída com implante ou com um retalho livre. A proposta pode ser considerada por pacientes que preferem não realizar uma reconstrução volumétrica, desejam evitar materiais protéticos ou priorizam uma cirurgia de menor complexidade.
Na reconstrução Goldilocks, o tecido remanescente da parte inferior da mama é reorganizado para criar uma elevação discreta no tórax. O método também não tem como objetivo oferecer, em todos os casos, o mesmo volume de uma prótese ou de uma reconstrução feita com tecido transferido de outra parte do corpo. Por isso, o resultado depende da anatomia da paciente, da quantidade de pele e gordura disponível e dos objetivos definidos no planejamento cirúrgico.
O estudo trata as duas abordagens como pontos diferentes de um mesmo espectro de reconstrução após a mastectomia. Em comum, elas utilizam tecidos locais e evitam implantes. A escolha, entretanto, não deve ser interpretada como uma indicação universal: fatores oncológicos, características corporais, tratamentos complementares e expectativas individuais precisam ser avaliados pela equipe responsável.
Resultados observados após a mastectomia
Entre as 55 pacientes incluídas na análise, não foram observados casos de necrose dos retalhos da mastectomia nem do complexo aréolo-mamilar. Também não houve necessidade de migrar posteriormente para uma reconstrução com implante ou para outro método autólogo. Esses resultados contribuíram para a avaliação de que as técnicas apresentaram baixa frequência de complicações no período inicial analisado.
A necessidade de revisão cirúrgica ocorreu em 7,3% dos casos. Como a pesquisa foi retrospectiva e realizada em uma única instituição, os dados descrevem a experiência daquele serviço e não permitem afirmar que uma das técnicas seja superior à outra. Além disso, o número de participantes foi limitado, especialmente no grupo submetido à reconstrução Goldilocks, que reuniu 11 pacientes.
Outro ponto relevante é que o acompanhamento principal considerou complicações ocorridas em até 60 dias. Esse recorte ajuda a medir a segurança no período pós-operatório inicial, mas não substitui a avaliação de resultados de longo prazo, como estabilidade do contorno, necessidade de novos procedimentos, satisfação e impacto na qualidade de vida.
Alternativas para diferentes expectativas
A reconstrução mamária sem prótese pode atender a pacientes que desejam evitar implantes, não têm interesse em uma reconstrução de maior volume ou preferem uma estratégia baseada exclusivamente nos tecidos locais. Também pode ser uma opção dentro de uma conversa mais ampla sobre simetria, cicatrizes, tempo cirúrgico e recuperação. A decisão deve ser compartilhada entre paciente e equipe multidisciplinar, com explicação clara sobre benefícios, limitações e possíveis revisões.
A reconstrução Goldilocks foi inicialmente descrita como uma alternativa especialmente associada a pacientes com maior volume corporal, mas vem sendo investigada em outros perfis. Como contexto complementar, um estudo-piloto sobre a satisfação de mulheres não obesas submetidas à técnica, também indexado pelo PubMed, relatou resultados favoráveis em aspectos de satisfação e qualidade de vida, embora tenha destacado a limitação relacionada ao volume mamário.
Os achados reforçam que a reconstrução depois da mastectomia não se resume ao uso de implantes ou a procedimentos microcirúrgicos. O fechamento plano estético e a técnica Goldilocks podem ampliar as possibilidades de escolha para pacientes selecionadas, desde que o planejamento considere as condições clínicas, o tratamento do câncer e o resultado desejado. A evidência disponível, porém, ainda deve ser interpretada com cautela por causa do desenho retrospectivo, do número reduzido de participantes e da realização em um único centro.
