Uma técnica de cirurgia conservadora da mama assistida por endoscopia apresentou resultados estéticos superiores aos da cirurgia aberta convencional em pacientes com câncer de mama em estágio inicial. O procedimento utiliza uma única incisão mínima na região da axila, em vez de um corte diretamente sobre a mama, e foi associado a maior satisfação com a aparência da cicatriz após 18 meses de acompanhamento.
Os dados fazem parte de um ensaio clínico multicêntrico e randomizado realizado em três hospitais chineses de alta complexidade. Ao todo, 163 pacientes foram analisadas: 82 passaram pela abordagem endoscópica com acesso axilar e 81 foram submetidas à cirurgia aberta convencional. O estudo foi publicado no periódico Breast, com registro bibliográfico de 2026.
Incisão na axila teve melhor avaliação estética
O principal instrumento usado para avaliar a percepção das pacientes sobre as cicatrizes foi o questionário SCAR-Q. Depois de 18 meses, o grupo submetido à técnica endoscópica alcançou 79,9 pontos, enquanto o grupo da cirurgia convencional registrou 61,4 pontos. A diferença foi considerada significativa pelos pesquisadores.
A localização da incisão é um dos elementos centrais da proposta. Como o acesso é feito pela região axilar, a cicatriz tende a ficar menos visível na mama. Para pacientes que preservam parte do tecido mamário durante o tratamento do câncer, essa característica pode influenciar a percepção do próprio corpo e a satisfação com o resultado cirúrgico.
Além da avaliação das cicatrizes, o estudo identificou resultados mais favoráveis nos relatos das pacientes sobre satisfação com as mamas e qualidade de vida. Esses desfechos ampliam a discussão sobre o tratamento do câncer de mama, que não envolve apenas o controle da doença, mas também os efeitos físicos e emocionais associados à cirurgia.
Segurança e eficiência foram avaliadas
De acordo com o registro do estudo no PubMed, a técnica endoscópica não comprometeu a eficiência cirúrgica, a segurança ou os resultados oncológicos avaliados durante o período do estudo. A comparação foi feita diretamente com a cirurgia aberta convencional em pacientes diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial.
O resultado é relevante porque uma melhora na aparência da cicatriz só tem significado clínico quando está associada à manutenção dos objetivos principais do tratamento. No trabalho, a abordagem minimamente invasiva foi analisada dentro de uma estratégia de cirurgia conservadora, e não como substituta universal de todas as operações indicadas para o câncer de mama.
A publicação está identificada pelo DOI 10.1016/j.breast.2026.104876 e corresponde ao artigo do periódico Breast, volume 89, número 104876. A referência bibliográfica aponta 19 de julho de 2026, enquanto a indexação informa publicação na edição de outubro do mesmo ano.
Técnica não é indicada para todas as pacientes
Apesar dos resultados promissores, os achados não significam que a cirurgia mamária endoscópica com acesso axilar seja adequada para todas as pessoas com câncer de mama. A indicação depende de fatores como as características do tumor, o estágio da doença, a anatomia da paciente, o planejamento oncológico e a possibilidade técnica de realizar a operação com segurança.
A experiência da equipe também é um aspecto decisivo. Procedimentos assistidos por endoscopia exigem treinamento específico, infraestrutura compatível e seleção criteriosa das pacientes. Por isso, a adoção em outros serviços deve considerar a capacidade de reproduzir a técnica e de acompanhar tanto os resultados oncológicos quanto as complicações e a satisfação no longo prazo.
Outro limite é o tempo de acompanhamento disponível no estudo. A avaliação principal ocorreu 18 meses após a cirurgia, período suficiente para observar diferenças na percepção das cicatrizes, mas ainda limitado para conclusões mais amplas sobre resultados tardios. A confirmação dos benefícios em outros centros e com seguimento mais prolongado poderá ajudar a definir o papel da abordagem na prática clínica.
Assim, a pesquisa reforça uma tendência de integração entre tratamento oncológico e preservação da imagem corporal. A possibilidade de realizar uma cirurgia conservadora por uma incisão menos aparente pode representar um ganho importante para algumas pacientes, desde que a decisão seja individualizada e subordinada à segurança do tratamento contra o câncer.
