Estudo publicado em setembro avaliou uma tecnologia não ablativa capaz de melhorar textura, poros, rugas, vermelhidão e pigmentação facial.
A busca por tratamentos que melhorem a aparência da pele sem exigir procedimentos muito agressivos ganhou um novo capítulo com a publicação de um estudo sobre um laser não ablativo de 675 nanômetros. A pesquisa, publicada em 7 de setembro de 2026 na revista Lasers in Surgery and Medicine, avaliou o uso da tecnologia no rejuvenescimento facial e encontrou melhora em parâmetros como rugas, poros e textura da pele.
O interesse pelo equipamento está relacionado justamente à proposta de estimular mudanças na pele sem provocar a mesma intensidade de lesão superficial associada a alguns lasers ablativos. Isso não significa que o tratamento seja indicado para qualquer pessoa ou que substitua cuidados básicos, mas o resultado ajuda a explicar por que tecnologias voltadas à remodelação do colágeno continuam ganhando espaço na dermatologia estética. Para quem pesquisa como melhorar a qualidade da pele, entender o que já foi demonstrado e quais são as limitações da evidência é fundamental.
O que o estudo descobriu sobre o laser de 675 nm
A pesquisa acompanhou 22 adultos que apresentavam diferentes alterações faciais, incluindo vermelhidão, rugas finas, poros aumentados e irregularidades na textura. Os participantes receberam três sessões mensais de laser de diodo não ablativo de 675 nm, e os pesquisadores utilizaram imagens tridimensionais para comparar as características da pele antes e depois do tratamento. Dos participantes, 18 completaram a análise de imagens utilizada para avaliar os resultados.
Após o acompanhamento, os pesquisadores observaram melhora estatisticamente significativa nos parâmetros relacionados a rugas, poros e suavidade da pele. As avaliações também apontaram melhora de pelo menos 50% em pigmentação e vermelhidão em 61,1% dos participantes avaliados por uma escala estética independente. O estudo registrou dor considerada leve e não observou eventos adversos graves nem hiperpigmentação pós-inflamatória entre os participantes acompanhados.
Um dos pontos que mais chama atenção é a avaliação histológica realizada em uma parte dos participantes, que sugeriu aumento de componentes relacionados ao colágeno na derme. O achado é relevante porque o envelhecimento cutâneo envolve alterações progressivas na matriz extracelular, na produção de colágeno e na capacidade de regeneração da pele. Uma revisão publicada em 2026 também destaca que o envelhecimento da pele resulta da combinação de processos biológicos internos e fatores ambientais, incluindo mecanismos associados à inflamação e à senescência celular.
Laser não ablativo pode substituir skincare ou outros procedimentos?
Não. A principal utilidade de uma tecnologia desse tipo deve ser analisada como parte de uma estratégia individualizada de tratamento, e não como substituição automática para protetor solar, hidratação, cuidados dermatológicos ou outros procedimentos. A própria pesquisa sobre o laser de 675 nm foi realizada em um grupo pequeno, com 22 participantes inicialmente e acompanhamento de curto prazo, o que significa que ainda são necessários estudos maiores e com períodos mais longos para estabelecer melhor sua eficácia em diferentes perfis de pacientes.
Na prática, o tratamento da pele envelhecida depende de fatores como idade, fototipo, grau de dano solar, presença de manchas, sensibilidade, doenças dermatológicas e objetivo estético. Uma pessoa interessada em reduzir rugas finas pode receber uma indicação diferente daquela feita para alguém que apresenta principalmente manchas, flacidez ou cicatrizes de acne. Por isso, a avaliação dermatológica continua importante mesmo diante do surgimento de equipamentos mais sofisticados.
Outro ponto é que resultados de estudos clínicos não devem ser confundidos com promessas comerciais. A melhora observada em uma pesquisa não garante que todos os pacientes terão a mesma resposta, e parâmetros como potência, número de sessões, intervalo entre aplicações e características individuais podem influenciar os resultados. Além disso, procedimentos com equipamentos médicos devem ser realizados em condições adequadas e com produtos e dispositivos regularizados, seguindo as orientações sanitárias aplicáveis. A Anvisa recomenda que consumidores verifiquem o estabelecimento, a regularização dos produtos utilizados e a qualificação do profissional antes de realizar procedimentos estéticos.
O que muda para quem busca rejuvenescimento facial
A principal tendência indicada por esse tipo de pesquisa é uma busca crescente por procedimentos que atuem na qualidade da pele sem necessariamente produzir grandes períodos de recuperação. Tecnologias não ablativas despertam interesse porque procuram atingir estruturas da pele relacionadas ao envelhecimento mantendo menor agressão à superfície, embora isso não elimine a possibilidade de efeitos adversos nem dispense avaliação individual. O objetivo, em muitos casos, deixa de ser apenas apagar uma ruga específica e passa a envolver textura, uniformidade, poros, pigmentação e aparência geral da pele.
Essa abordagem combina com uma visão mais ampla do envelhecimento saudável, na qual prevenção e tratamento caminham juntos. A exposição solar acumulada continua sendo um dos fatores relevantes para o envelhecimento cutâneo, enquanto hábitos de vida e cuidados regulares ajudam a preservar a barreira e as funções da pele. Dessa forma, mesmo quando um paciente considera laser, bioestimuladores, radiofrequência ou outros procedimentos, a proteção solar e uma rotina adequada de cuidados continuam fazendo parte da estratégia de manutenção da saúde cutânea.
O avanço do laser de 675 nm também mostra como a dermatologia estética está se aproximando de tratamentos cada vez mais direcionados. Em vez de buscar somente uma alteração visual imediata, pesquisas recentes procuram compreender como diferentes tecnologias modificam a estrutura da pele e estimulam processos biológicos relacionados ao colágeno. Esse movimento pode favorecer tratamentos mais personalizados no futuro, mas a incorporação de qualquer tecnologia à prática clínica depende de evidências acumuladas, treinamento profissional, avaliação de segurança e regulamentação.
Nos próximos meses, o interesse deverá se concentrar na reprodução desses resultados em grupos maiores, diferentes fototipos e períodos de acompanhamento mais longos. Para o paciente, isso significa que a novidade pode ser acompanhada com interesse, mas sem transformar um estudo inicial em promessa de rejuvenescimento. A tendência mais consistente é a combinação entre prevenção, diagnóstico individualizado e tecnologias capazes de tratar diferentes sinais do envelhecimento de maneira progressiva e controlada.
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