As cirurgias plásticas após perda de peso ganharam destaque no mercado norte-americano em 2025. Um relatório divulgado em 1º de setembro de 2026 pela American Society of Plastic Surgeons (ASPS) registrou aumento de 7% no volume total de procedimentos estéticos realizados nos Estados Unidos em comparação com o ano anterior.
O levantamento aponta crescimento especialmente acentuado em cirurgias de lifting, que podem ser procuradas por pessoas interessadas em tratar excesso de pele, flacidez e alterações no contorno corporal. Os dados, no entanto, representam o mercado dos Estados Unidos e não devem ser interpretados como uma comprovação de tendência equivalente no Brasil.
Liftings de tronco, braços e coxas avançam
Entre os procedimentos que mais cresceram em 2025 está o lifting de testa e sobrancelhas, com alta de 29%. O lifting de tronco aumentou 22%, enquanto os liftings de braços e pescoço registraram avanço de 21% cada. Já o lifting de coxas apresentou crescimento de 20% no período.
Outras cirurgias também tiveram desempenho positivo. O lifting facial subiu 13% e o lifting mamário avançou 8%. O maior crescimento individual entre os procedimentos acompanhados pela ASPS foi observado no enxerto de gordura facial, que aumentou 39% em relação ao ano anterior.
O conjunto dos resultados sugere uma procura maior por procedimentos voltados à restauração de contornos, seja após mudanças importantes no peso, seja em razão do envelhecimento ou de alterações corporais associadas à gestação. Ainda assim, o relatório apresenta estatísticas de volume e não permite concluir quais foram as motivações individuais de cada paciente.
Medicamentos para perda de peso aparecem nas consultas
O relatório também analisou a presença de consultas relacionadas ao uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. Segundo a ASPS, 82% dos cirurgiões membros da entidade receberam, em 2025, solicitações de consulta associadas a esses medicamentos.
A própria entidade ressalta que esse percentual se refere a consultas e não comprova uma relação de causa e efeito entre o uso dos remédios e a realização de uma cirurgia específica. A associação possível é que algumas pessoas que perderam uma quantidade significativa de peso tenham procurado avaliação para lidar com excesso de pele, flacidez ou perda de volume facial.
O emagrecimento e a cirurgia plástica cumprem funções diferentes. A perda de peso reduz a massa corporal, mas pode deixar sobras de pele em regiões como abdômen, braços, coxas e tronco. A indicação de uma cirurgia depende de avaliação individual, estabilidade do peso, condições clínicas e expectativas realistas, entre outros fatores que devem ser analisados por um profissional habilitado.
Pacientes com 66 anos ou mais tiveram maior alta
Outro destaque do levantamento foi o crescimento entre pacientes com 66 anos ou mais. Nessa faixa etária, o volume de procedimentos aumentou 24% em 2025, a maior alta entre os grupos etários analisados pela entidade. O dado acompanha o avanço de cirurgias de lifting, embora o relatório não estabeleça uma explicação única para esse comportamento.
Na lista dos procedimentos mais realizados no ano, a lipoaspiração permaneceu na liderança. Na sequência aparecem a combinação de aumento mamário e revisão de implantes, a abdominoplastia, o lifting mamário e a blefaroplastia. A relação mostra que as cirurgias de contorno corporal convivem com procedimentos mamários, faciais e de remodelação de diferentes áreas do corpo.
O que os números significam para o Brasil
Os dados da ASPS são um retrato do mercado norte-americano e foram compilados a partir de procedimentos realizados nos Estados Unidos em 2025. Por isso, não é possível usar o relatório, isoladamente, para afirmar que as cirurgias plásticas após perda de peso cresceram na mesma proporção no Brasil.
Para pacientes brasileiros, o interesse por uma cirurgia de contorno corporal deve ser discutido em consulta individualizada. O profissional precisa avaliar o histórico de saúde, a composição corporal, a presença de excesso de pele, a estabilidade do peso e os riscos envolvidos. O crescimento estatístico de um procedimento não transforma a cirurgia em recomendação geral nem substitui a avaliação médica.
O relatório completo pode ser consultado na página de estatísticas de cirurgia plástica da ASPS e no documento Procedural Statistics Report 2025. A entidade também publicou uma análise dos números e das tendências observadas.
