Na conta que define a remuneração do produtor por saca, o custo do frete se tornou um aspecto relevante, que faz parte da rotina do empresário Wander Aguilera Almeida, que atua na intermediação de compra e venda de grãos. É importante destacar que há um custo associado a cada quilômetro percorrido entre a porteira da fazenda e o navio. Esse valor é descontado, direta ou indiretamente, do preço pago pelo grão no interior.
O assunto adquire importância à medida que o ritmo dos embarques aumenta. Até julho de 2026, as exportações brasileiras de soja totalizaram 82,9 milhões de toneladas, representando um aumento de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025. No caso do milho, as exportações alcançaram 9,8 milhões de toneladas, com um crescimento de 10,53%. Os portos do Arco Norte foram responsáveis por 46,12% dos embarques de milho e 39,03% dos de soja, com Santos ocupando a segunda posição.
Com a nova safra em fase de plantio e a perspectiva de grandes volumes no início de 2027, compreender a lógica do transporte auxilia na tomada de decisão quanto ao momento e à forma de comercialização. Ao longo deste artigo, veja como o frete entra no preço, quais fatores movimentam o custo logístico e de que forma ele pode alterar a estratégia de comercialização.
Como o frete entra no preço pago ao produtor?
Para os produtos agrícolas destinados à exportação, como a soja e o milho, o valor de referência é definido no porto. A cotação na Bolsa de Chicago, o prêmio pago pelos compradores internacionais e o câmbio constituem o chamado preço de paridade de exportação. Após a dedução das despesas portuárias, da armazenagem, de eventuais transbordos e do frete até a região produtora, o valor oferecido no interior é alcançado.
Os números demonstram o impacto desse desconto. Segundo levantamento da Argus, divulgado no mês de setembro, o valor do frete rodoviário na rota de Sinop, em Mato Grosso, até o transbordo de Miritituba, no Pará, ficará entre R$ 255 e R$ 270 por tonelada. No trajeto entre Primavera do Leste e Santos, o valor ficou entre R$ 360 e R$ 380 por tonelada, o equivalente a mais de R$ 20 por saca de 60 quilos.
Por conseguinte, em um mesmo dia, duas regiões que comercializam o mesmo grão podem receber preços distintos. Na intermediação de compra e venda de grãos, atividade de Wander Aguilera Almeida, essa diferença entre praças é um dos elementos acompanhados ao lado da evolução das safras, porque ajuda o produtor a compreender o que de fato está embutido em cada proposta de compra.
Variáveis que determinam o valor do frete
O custo do transporte não é fixo e pode variar significativamente em um curto período de tempo. Entre as variáveis que mais influenciam essa oscilação, quatro se destacam:
- Calendário da safra: durante a colheita, a demanda por caminhões dispara e o frete tende a subir. Na entressafra, como ocorreu em setembro em Mato Grosso após o fim da colheita do milho, a procura diminui e as cotações recuam.
- Corredor e modal de transporte: rotas que combinam rodovia com hidrovia ou ferrovia, como as do Arco Norte, alteram o custo final e a competitividade de cada região produtora em relação aos portos do Sul e do Sudeste.
- Frete de retorno: quando o caminhão que leva grãos ao porto volta carregado com fertilizantes, o custo da viagem é dividido. Sem carga de retorno, o transportador cobra mais na ida, como apontaram as altas recentes nas rotas para o Sudeste.
- Filas e tempo de espera: chuva nos portos, armazéns cheios e lentidão nos transbordos aumentam o tempo parado dos veículos, reduzem a oferta de caminhões disponíveis e pressionam os preços do serviço logístico.

Esses fatores se combinam de maneira diferente a cada temporada. Wander Aguilera Almeida, que analisa os preços e as safras de grãos, identifica nesse conjunto de variáveis parte da explicação para os movimentos de mercado que, à primeira vista, parecem desconectados das cotações internacionais.
Qual o papel da logística e da exportação na comercialização?
O valor do frete não influencia apenas o preço recebido pelo produtor, mas também a conveniência da venda. Negociar grãos no pico da colheita significa, em geral, aceitar um desconto logístico maior, enquanto quem dispõe de armazenagem pode esperar a normalização do transporte e capturar parte dessa diferença, desde que o custo de estocar não consuma o ganho.
A modalidade da negociação também é um fator relevante. Na venda com retirada na fazenda, o comprador assume a logística e incorpora esse custo no preço final. Na entrega em armazém ou no porto, o produtor organiza o transporte e está sujeito às oscilações do frete. A compreensão dessas diferenças é fundamental para a avaliação das condições de negociação mais apropriadas para cada cenário, segundo Wander Aguilera Almeida, especialista em dinâmica de comercialização agrícola.
As exportações são fundamentais para o equilíbrio da economia. A demanda externa aquecida sustenta os prêmios nos portos e a procura por transporte, enquanto uma desaceleração dos embarques pode baratear o frete, mas também enfraquecer os preços. Acompanhar o ritmo dos navios, além das cotações, ajuda a antecipar esses movimentos.
O frete como parte da decisão de venda
A logística deixou de ser um detalhe operacional e passou a interferir diretamente no resultado da safra. Para profissionais que atuam nos bastidores do agronegócio, como o empresário Wander Aguilera Almeida, o preço internacional, o câmbio e o custo de transporte devem ser analisados em conjunto, antes de cada negociação.
Com o início do plantio da soja 2026/27 e a expectativa de intensa movimentação nos corredores de exportação na próxima colheita, o produtor que compreende o impacto do frete em sua região está mais bem posicionado para selecionar o momento e a modalidade de venda mais vantajosos.
Ao aproximar os elos da cadeia produtiva, a intermediação conduzida por Wander Aguilera Almeida se baseia justamente nessa leitura combinada de mercado e logística para auxiliar o produtor a tomar a melhor decisão em cada momento, considerando que o valor da saca também é influenciado pelo trajeto até o porto.
