Uma abordagem que combina cirurgia e tratamentos voltados à qualidade da pele foi avaliada em um estudo publicado no periódico Plastic and Reconstructive Surgery. O protocolo reuniu lifting de face e pescoço, enxerto de gordura em toda a face, resurfacing profundo com plasma e tratamentos tópicos regenerativos, como creme de nanogordura e exossomos.
A análise retrospectiva considerou 96 pacientes atendidos pela equipe da cirurgiã Melinda Lacerna Kimbrell, nos Estados Unidos. A divulgação do trabalho foi feita pela American Society of Plastic Surgeons (ASPS) em 24 de junho de 2026. O artigo científico está associado à edição de julho de 2026 da publicação especializada.
O que foi combinado no protocolo
Segundo a ASPS, a estratégia foi planejada para abordar diferentes manifestações do envelhecimento facial ao mesmo tempo. O lifting de face e pescoço atuaria sobre a flacidez e o reposicionamento dos tecidos. Já o enxerto de gordura teria como objetivo ajudar a recuperar volume em áreas que sofrem alterações com o passar dos anos.
O resurfacing profundo com plasma foi incluído para tratar a superfície da pele, especialmente aspectos relacionados à textura e aos danos provocados pelo sol. Os tratamentos tópicos regenerativos, por sua vez, fizeram parte de uma proposta que busca associar intervenções cirúrgicas e minimamente invasivas em uma mesma estratégia de rejuvenescimento.
Essa combinação parte do entendimento de que o envelhecimento facial não se manifesta de uma única maneira. Mesmo quando a cirurgia corrige a queda dos tecidos, ela não necessariamente trata sozinha mudanças na textura, rugas superficiais, perda de volume e alterações decorrentes da exposição solar.
Resultados observados entre os pacientes
Os participantes passaram por avaliações da pele antes e depois do tratamento. De acordo com os dados divulgados, houve, em média, uma melhora equivalente a quatro anos na classificação de “idade da pele”. A análise também apontou ganho próximo de dez anos na elasticidade e redução correspondente a sete anos na avaliação das rugas.
A publicação relatou que não foi observada elevação do risco de complicações na série analisada. Esse resultado, porém, precisa ser interpretado dentro do desenho da pesquisa: trata-se de uma revisão retrospectiva da experiência de uma equipe, e não de um ensaio clínico randomizado com grupos submetidos a diferentes tratamentos.
O estudo também não comprova que a combinação seja superior ao lifting facial realizado isoladamente. A ausência de um grupo de comparação impede estabelecer, com segurança, quanto da melhora observada pode ser atribuído a cada etapa do protocolo ou à associação entre elas.
Por que os achados ainda são preliminares
As conclusões refletem os resultados obtidos em 96 pacientes tratados em um contexto específico e por uma mesma equipe nos Estados Unidos. Por isso, não é possível generalizar os dados para todas as pessoas interessadas em rejuvenescimento facial. A indicação depende de fatores como características da pele, grau de flacidez, distribuição de volume, histórico clínico e objetivos individuais.
Outro ponto relevante é que diferentes intervenções foram realizadas em conjunto. Essa característica pode dificultar a identificação do efeito isolado do lifting, do enxerto de gordura, do plasma ou dos produtos tópicos. Estudos futuros, com protocolos comparativos e acompanhamento estruturado, podem ajudar a esclarecer quais pacientes se beneficiam mais e quais componentes têm maior impacto nos resultados.
Conforme informado pela Plastic and Reconstructive Surgery, novas pesquisas também devem incluir avaliações de satisfação dos pacientes. A ASPS destacou ainda a necessidade de estudos que utilizem protocolos com dispositivos de plasma aprovados pela FDA, aspecto importante para a análise da segurança e da aplicabilidade da tecnologia.
Avaliação individual continua essencial
O trabalho chama atenção para uma tendência da cirurgia plástica: integrar procedimentos que atuam em diferentes camadas e características do envelhecimento facial. Entretanto, a combinação de cirurgia, transferência de gordura e resurfacing exige planejamento individualizado, porque reúne intervenções com diferentes níveis de invasividade e necessidades específicas de recuperação.
Assim, os resultados não devem ser apresentados como validação definitiva de uma nova técnica para todos os pacientes. O estudo oferece dados iniciais sobre uma abordagem combinada, mas a decisão terapêutica deve considerar avaliação médica detalhada, riscos, alternativas disponíveis e expectativas realistas para cada caso.
