Um estudo clínico randomizado e duplo-cego avaliou diferentes estratégias para controlar a dor após rinoplastia e não encontrou diferença estatisticamente significativa entre um esquema com opioide e outro sem esse tipo de medicamento. A pesquisa acompanhou 130 adultos submetidos à rinoplastia primária durante os cinco primeiros dias do período pós-operatório.
Os participantes foram divididos para receber uma combinação de hidrocodona e paracetamol, que inclui um opioide, ou ibuprofeno e paracetamol, alternativa sem opioide. De acordo com o registro do trabalho no PubMed, os níveis médios de dor foram semelhantes entre os grupos no período analisado.
O artigo foi publicado online em 3 de março de 2026 no periódico Facial Plastic Surgery & Aesthetic Medicine. O registro editorial da publicação está disponível no DOI do estudo, que identifica a versão publicada pela SAGE Journals. As duas páginas se referem ao mesmo trabalho científico, apresentado com metodologia, resultados e conclusão sobre o controle da dor depois da rinoplastia.
Como o estudo comparou os medicamentos
A pesquisa adotou um desenho randomizado e duplo-cego, método utilizado para reduzir a influência de escolhas dos pesquisadores e das expectativas dos participantes sobre os resultados. O grupo analisado era formado por adultos submetidos a uma rinoplastia primária, ou seja, uma primeira cirurgia nasal desse tipo.
Os pacientes foram acompanhados ao longo dos cinco dias seguintes ao procedimento. Um grupo recebeu hidrocodona associada ao paracetamol, enquanto o outro utilizou ibuprofeno combinado ao mesmo analgésico. A comparação buscou verificar se a inclusão do opioide produziria vantagem no alívio da dor após a operação.
Segundo as informações disponíveis no PubMed, os participantes foram recrutados entre agosto de 2019 e outubro de 2024, em um centro terciário. A maioria da amostra era composta por mulheres, e cerca de metade das cirurgias reunia objetivos funcionais e estéticos, além da finalidade relacionada à aparência do nariz.
Resultados apontam controle semelhante da dor
A análise não identificou diferença estatisticamente significativa nos níveis médios de dor entre os pacientes que receberam o esquema com hidrocodona e aqueles tratados com ibuprofeno. Na prática, dentro das condições avaliadas pelo ensaio, a alternativa sem opioide apresentou desempenho semelhante ao regime que incluía esse tipo de medicamento.
O estudo também comparou efeitos adversos. A coceira foi registrada com maior frequência entre os participantes que receberam hidrocodona associada ao paracetamol. Esse resultado acrescenta uma dimensão importante à avaliação do tratamento, já que a escolha de um analgésico no pós-operatório considera não apenas a intensidade da dor, mas também a tolerabilidade e os possíveis efeitos indesejados.
Os achados podem contribuir para o debate sobre o uso racional de opioides depois de procedimentos de cirurgia plástica. Quando uma alternativa sem opioide oferece controle semelhante da dor em determinado grupo de pacientes, os resultados podem ser considerados na elaboração de protocolos e na conversa entre médico e paciente sobre a recuperação.
Resultado não substitui avaliação individual
Apesar da relevância, a conclusão não significa que todos os pacientes submetidos à rinoplastia possam abandonar opioides ou utilizar ibuprofeno por conta própria. O estudo avaliou adultos submetidos à rinoplastia primária, em um contexto clínico específico e durante os cinco primeiros dias após a cirurgia. Portanto, seus resultados não devem ser automaticamente estendidos a outras operações, perfis de pacientes ou situações de dor mais intensa.
A indicação de medicamentos depende de fatores como histórico de saúde, alergias, outras substâncias utilizadas, condições clínicas e características do procedimento. O ibuprofeno, por exemplo, pode não ser adequado para todas as pessoas. Da mesma forma, a necessidade de um opioide pode ser analisada pelo cirurgião em situações específicas, sempre com orientação e acompanhamento profissional.
Para quem considera uma rinoplastia, o estudo reforça a importância de conversar previamente com a equipe médica sobre o plano de controle da dor, os efeitos adversos esperados e os sinais que exigem contato com o serviço de saúde. A pesquisa oferece evidência sobre uma comparação entre dois esquemas analgésicos, mas não funciona como prescrição individual nem elimina a necessidade de acompanhamento no pós-operatório.
