A decisão do Conselho Federal de Medicina de proibir o PMMA como preenchedor estético, publicada em junho de 2026, trouxe à tona uma questão que vai muito além da substância em si: como o paciente pode, de fato, tomar decisões seguras diante de tantas opções de procedimentos disponíveis no mercado? A resposta passa por entender o que diferencia uma escolha consciente de uma decisão impulsionada por tendências ou pelo preço mais acessível.
O processo de avaliação antes de qualquer procedimento
O primeiro passo para qualquer procedimento estético, seja injetável, cirúrgico ou não invasivo, é a consulta com um profissional qualificado. No caso de procedimentos de preenchimento, lifting, lipoaspiração ou rinoplastia, o profissional adequado é o médico especialista, registrado no CFM e, no caso de cirurgias, certificado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
A SBCP orienta que seguir rigorosamente as recomendações médicas é fundamental para garantir uma recuperação tranquila, evitar complicações e alcançar resultados satisfatórios. O repouso é crucial nos primeiros dias após a cirurgia, e a retomada de atividades deve ser gradual e sempre com orientação médica. SBCP
Verificar se o profissional possui o título de especialista emitido pela SBCP é uma das formas mais confiáveis de assegurar que a cirurgia será realizada por alguém que passou por seis anos de formação específica além da graduação em Medicina. O site da SBCP (cirurgiaplastica.org.br) disponibiliza um mecanismo de busca para localizar especialistas cadastrados em todo o Brasil.
Procedimentos minimamente invasivos: crescimento com responsabilidade
O mercado de estética não cirúrgica cresceu de forma acelerada nos últimos anos no Brasil. Toxina botulínica, preenchedores reabsorvíveis, bioestimuladores de colágeno e fios de PDO são hoje os procedimentos mais realizados, justamente por combinarem resultados visíveis com recuperação rápida. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery indicam que o volume global de procedimentos estéticos ultrapassa dezenas de milhões por ano, com crescimento consistente dos tratamentos minimamente invasivos, que já representam a maior parte das intervenções realizadas no mundo. Dr. Marcel Molon
Esse crescimento, porém, não elimina a necessidade de cautela. Procedimentos injetáveis realizados por profissionais sem habilitação ou em ambientes inadequados continuam sendo fonte de complicações sérias, como demonstrou a proibição do PMMA. A substância era frequentemente aplicada em clínicas de estética por pessoas sem formação médica, agravando ainda mais os riscos.
A lipoaspiração no contexto atual
Entre as cirurgias plásticas mais realizadas no Brasil, a lipoaspiração segue como um dos procedimentos de contorno corporal mais procurados. A SBCP é clara sobre o que a cirurgia representa: ela é indicada para a remoção de depósitos de gordura localizada resistentes à dieta e aos exercícios, sendo ideal para pacientes próximos ao peso ideal que se incomodam com acúmulos persistentes em regiões como abdômen, flancos, costas ou coxas, e não é uma solução para o excesso de peso. SBCP
A instituição também determina que a quantidade de gordura retirada na lipoaspiração seja limitada a entre 5% e 7% do peso corporal, dependendo da técnica, e que o procedimento seja realizado em ambiente hospitalar para garantir a segurança do paciente.
A boa notícia é que, com os avanços das técnicas cirúrgicas e o uso crescente de tecnologias associadas ao procedimento, a recuperação ficou mais rápida e os resultados mais previsíveis. Mas a escolha do cirurgião continua sendo o fator mais determinante para o sucesso de qualquer intervenção.
Fontes:
- SBCP: https://www.cirurgiaplastica.org.br/en/category/noticias/
- Portal CFM / Resolução 2.461/2026: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-proibe-o-uso-medico-da-substancia-no-pais/
- Dr. Marcel Molon / ISAPS: https://marcelmolon.com.br/2026/02/como-a-inteligencia-artificial-e-as-tecnicas-menos-invasivas-estao-transformando-a-cirurgia-plastica/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
